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	<title>ponto de vista &#8211; ELLE Brasil</title>
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	<description>A moda, só que diferente</description>
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	<title>ponto de vista &#8211; ELLE Brasil</title>
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		<title>Lavo não: dia das mães chegando e o que transborda não é a pia</title>
		<link>https://elle.com.br/view/lavo-nao-dia-das-maes-chegando-e-o-que-transborda-nao-e-a-pia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Piza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 17:52:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ponto de vista]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
		<category><![CDATA[roberta dalbuquerque]]></category>
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					<description><![CDATA[É o trabalho invisível que ninguém vê (nem faz direito).]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Lavo nada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">‘Deixa aí que eu dou um tapinha.’</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se dá tapinha em louça. Ou vai até enxugar a pia, ou é melhor nem encostar. Se eu deixo, vira isso aí, ó. Vê que lixo. Dezessete pratos — eu contei — todos os talheres da diária, mais meia dúzia do faqueiro de festa, copo empilhado de três, quatro, quatro panelas, duas travessas. Fora o resto que nem dá pra ver daqui.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pega vareta, rapaz. Não tem uma caneca limpa pra pôr na mesa. </p>
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		<title>Dá pra continuar nas redes sociais sem pensar tanto no algoritmo?</title>
		<link>https://elle.com.br/view/redes-sociais-sem-pensar-tanto-no-algoritmo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Piza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 18:36:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ponto de vista]]></category>
		<category><![CDATA[google]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[meta]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[tempos de tela]]></category>
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					<description><![CDATA[Em Tempos de tela, nossa colunista fala sobre o cansaço de estar cansada da internet. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o meu último texto por aqui, a Meta e o Google foram <a href="https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/03/25/meta-julgamento.ghtml" target="_blank" rel="noopener">condenados a pagar milhões de dólares</a> em um julgamento movido por uma jovem que alegou ter desenvolvido vício em redes sociais por causa dessas (e outras) empresas. Houve grande comoção entre quem cobre o tema pelo ineditismo do processo e principalmente porque, considerando o poder das big techs, não parecia provável que elas perderiam e ficariam expostas a esse tipo de precedente. “Histórico” tem sido um dos adjetivos mais utilizados para descrever o episódio.</p>
<p>Mas outras coisas &#8220;grandiosas&#8221; também aconteceram entre março e abril: eu finalmente troquei de notebook e não preciso mais ficar grudada na tomada porque a bateria do antigo não aguentava mais; voltei a mexer no meu jardim digital (um tipo de blog que já falei sobre <a href="https://elle.com.br/elleview/edicao-digital-57/tech-tech-13">aqui</a>); cobri à distância o SXSW e decupei mais palestras do que meu cérebro foi capaz de digerir; tive minhas primeiras aulas como aluna especial de uma disciplina na pós-graduação da ECA/USP chamada “Os Pensadores do Ciberespaço” e lancei uma newsletter da ELLE no Substack, a <a href="http://ellebrasil.substack.com" target="_blank" rel="noopener">Ctrl+ELLE</a>. Eu disse que eram coisas grandiosas, mas não disse para quem!</p>
<p>Onde tudo isso se relaciona é que passei ainda mais tempo online nessas semanas e, muito por causa do computador novo, devo admitir que gostei. Para além da peça eletrônica que melhorou minha navegabilidade, o que identifico que foi diferente nesse mês é que usei bastante a internet para me auxiliar em “projetos”, como organizar minhas anotações das aulas no meu software de notas, as horas que passei brincando no meu jardim digital e também a exploração do Substack. Um comportamento mais ativo/construtivo do que um consumo passivo.</p>
<blockquote><p>Como o julgamento da Meta mostrou, as redes sociais são mesmo perversas no que tange à sua arquitetura, mas será que precisamos existir nelas da forma que as empresas que as desenvolvem promovem?</p></blockquote>
<p>Essa percepção não me ocorreu sozinha, mas se materializou enquanto eu assistia a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=GVrT9Q-T8tE" target="_blank" rel="noopener">este video ensaio</a> </p>
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		<item>
		<title>Por que estamos sentando tão pouco ao redor da mesa?</title>
		<link>https://elle.com.br/view/por-que-estamos-sentando-pouco-ao-redor-da-mesa</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Piza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2026 13:17:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ponto de vista]]></category>
		<category><![CDATA[comensalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Em um mundo tomado por telas, as refeições compartilhadas tornam-se cada vez mais raras – com consequências graves para crianças e adolescentes. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Eu sempre fui uma criança que vivia nos momentos de silêncio. Enquanto o mundo girava rápido demais para eu acompanhar, eu observava. Fui uma criança solitária, de poucos amigos e muitos pensamentos, mas havia um lugar onde a solidão sumia, mesmo sem eu dizer nada: ao redor da mesa. A mesa servia como um ponto onde minha solidão desaparecia. A mesa era o meu refúgio. Para mim, ela nunca foi apenas um móvel de quatro pés no centro da sala: era um organismo vivo, um porto seguro onde a presença do outro era garantida. Naquele quadrado de madeira, eu não estava sozinho. Ali, o coletivo se manifestava, e eu, em minha quietude, sentia que pertencia a algo maior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minha paixão pelo que acontece em uma mesa não veio de filmes, revistas de luxo nem de etiquetas rígidas. A minha paixão nasceu da necessidade de conexão. As flores chegaram à minha vida em 2014, aos 25 anos, quando comecei a criar mesas para que celebridades, ativistas, primeiros-ministros e líderes criativos se sentassem para resolver alguns dos problemas mais difíceis da sociedade por alguns dias. Foi neste momento que comecei a entender e sentir a energia da mesa e perceber como a presença das flores mudava a atmosfera. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessas experiências, passei a ver com os meus próprios olhos que as flores que eu colocava entre pessoas influentes não eram apenas adornos. Eram mediadoras. Elas transformavam qualquer vibração de tensão e competição em um sentimento de &#8220;família&#8221;. Elas desarmavam o ego. E foi ali, entre o colorido das pétalas, alguns cadernos e o tilintar dos talheres nas pausas das refeições, que entendi: a mesa é o último reduto da nossa humanidade.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b></b></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>O altar que atravessou os séculos</b></h3>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-192394" src="https://images.elle.com.br/2026/04/elle-view-andrechaves03-620x793.jpg" alt="mesa" width="620" height="793" title="Por que estamos sentando tão pouco ao redor da mesa?"><p class="media-data">
<small class="media-caption"></small>
<small class="media-photo-credit">Foto: André Chaves</small>
</p></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entendermos o vazio das cadeiras de hoje, precisamos olhar para trás. A mesa é um dos marcos mais profundos da civilização e da espiritualidade. Não é coincidência que ela seja o móvel mais mencionado na Bíblia – cerca de 128 vezes. </p>
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			</item>
		<item>
		<title>A vida presta</title>
		<link>https://elle.com.br/view/a-vida-presta</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Piza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 11:39:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ponto de vista]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[roberta dalbuquerque]]></category>
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					<description><![CDATA[Sabe quando tudo dá certo, depois que tudo deu ruim? Confira a crônica de Roberta D'Albuquerque.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Acordei, no meio da noite, toda espalhada na cama. O colchão me olhou meio com cara de espanto. Fazia um tempão que ele e o lado direito do lençol reclamavam a falta de uso. Dei de cara com o travesseiro desocupado de João Guilherme. Foi a primeira vez que, antes de chorar o vazio, reparei que o meu é mais murcho do que o dele. Troquei na hora e agora tô com esse pescoço de bebê, me deu até ânimo de ir ao super de manhã cedo. Uma belezinha, tinha tudo que eu precisava. Tinha até mais do que o que eu precisava. Quanto tempo que eu não prestava atenção nas iguarias do super, o básico anda tão caro, né?<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Mas hoje, não. Na prateleira dos vinhos, achei um que paquero desde sempre, só me faltava coragem pra comprar. Tem o mesmo nome do que o que João Guilherme bebia, só que o meu é reserva. Pois que a etiqueta do danado marcava menos de 40% do preço original, e essa nem é a prateleira da promoção. Foi bem na hora em que eu vi o vinho que voltei na entrada rapidinho pra trocar a cestinha por um carrinho. Tá vendo quanto diminutivo? É que fiquei assim cheia de sangue doce com a delicadeza do mercado e a falta de nó no pescoço.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Minimalismo psicológico</title>
		<link>https://elle.com.br/view/minimalismo-psicologico</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Piza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 11:35:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ponto de vista]]></category>
		<category><![CDATA[minimalismo psicologico]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[tempos de tela]]></category>
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					<description><![CDATA[Em Tempos de tela, nossa colunista testa um método que promete ajudar a conter o vazamento de foco na era digital.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">E lá estava eu pelo segundo dia consecutivo em uma ronda por sites e newsletters, lendo sobre como Mark Zuckerberg tenta se defender no </span><a href="https://www.wired.com/story/mark-zuckerberg-testifies-social-media-addiction-trial-meta/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">julgamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> que discute se suas redes sociais foram ou não intencionalmente desenhadas para viciar. Minha ideia era escrever sobre isso este mês. Afinal, como uma de suas vítimas, tenho opiniões fortes sobre a arquitetura desses aplicativos que afetam tanto nossa rotina. Minutos depois, encaro 15 abas abertas e me sinto afogada. Abro o Whatsapp, o Instagram e o e-mail em busca de problemas diferentes, talvez. Uma hora se passou e nenhuma linha foi escrita. Dou uma volta na cozinha procurando comida que sei que não tenho porque não fui ao mercado. A página em branco segue me aguardando. Sento novamente na cadeira, dedos no teclado. Estava determinada a derramar ao menos um parágrafo torto no documento de texto quando vejo um ícone diferente entre as abas, de um site que não conheço. É uma matéria que lembro ter aberto com curiosidade mínima, só para checar se havia ali algo extraordinário em relação a tudo o que já li sobre o assunto. O texto, que é organizado como um tutorial, se chama “</span><a href="https://psyche.co/guides/how-to-reclaim-your-attention" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">How to reclaim your attention</span></a><span style="font-weight: 400;">” (Como recuperar sua atenção) e foi descrito pela newsletter </span><a href="https://www.newplanjournal.com/" target="_blank" rel="noopener"><i><span style="font-weight: 400;">New Plan Journal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de forma irresistível: </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Você sente que a sua atenção ‘não é mais sua’? Notificações, microdecisões, abas abertas, convites que aceitamos no automático, objetos à vista que puxam pequenas escolhas? A proposta para combater a sensação é o chamado ‘minimalismo psicológico’ e ele não tem a ver com estética, mas sim com reduzir entradas para que a clareza apareça com menos esforço.” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se assistisse a um comercial da Polishop, fui respondendo sim a cada pergunta ao mesmo tempo em que antecipava que </p>
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			</item>
		<item>
		<title>Substantivo feminino: força, coragem, resistência e tenacidade</title>
		<link>https://elle.com.br/view/substantivo-feminino-roberta-dalbuquerque</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Piza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 17:30:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ponto de vista]]></category>
		<category><![CDATA[8 de março]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional das mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[roberta dalbuquerque]]></category>
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					<description><![CDATA[No mês que celebra o Dia Internacional das Mulheres, nossa colunista narra a saga diária de muitas delas. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Helô se sente sortuda. Está sentada. Sortuda por poder se sentar. É que são 6h30 da manhã, ela a caminho do trabalho no sempre lotado Ipiranga-Rio Pequeno. Quase um milagre. Na placa de acrílico que divide o espaço dos passageiros do motorista, lê no cartaz: São substantivos femininos – força, coragem, resistência e tenacidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Tenacidade era o que mesmo?”, Helô se pergunta. “Será que tem alguma coisa a ver com a cola Tenaz?” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Google diz que sim. </p>
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</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Verão 2026 reflete ausência do olhar feminino – ou, pelo menos, uma perspectiva sensível a elas</title>
		<link>https://elle.com.br/moda/verao-2026-reflete-ausencia-do-olhar-feminino-ou-pelo-menos-uma-perspectiva-sensivel-a-elas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giuliana Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Oct 2025 21:12:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[moda]]></category>
		<category><![CDATA[ponto de vista]]></category>
		<category><![CDATA[alaia]]></category>
		<category><![CDATA[calvin klein]]></category>
		<category><![CDATA[chanel]]></category>
		<category><![CDATA[duran lantink]]></category>
		<category><![CDATA[givenchy]]></category>
		<category><![CDATA[jean paul gaultier]]></category>
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		<category><![CDATA[jonathan anderson]]></category>
		<category><![CDATA[matthieu blazy]]></category>
		<category><![CDATA[miguel castro freitas]]></category>
		<category><![CDATA[mugler]]></category>
		<category><![CDATA[verão 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[Vestidos presos pelos mamilos, nudez masculina sobreposta à feminina e roupas que limitam o movimento delas confirmam a falta de representatividade.
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Quando uma intensa dança das cadeiras nas direções criativas de etiquetas de luxo começou a tomar forma, em 2024, a discussão sobre a ausência de mulheres nas contratações dos principais cargos artísticos dessas empresas ganhou força. A cada anúncio, mais um homem – geralmente, branco – era indicado para tomar conta das principais casas de moda. Um ano depois, na temporada de verão 2026, encerrada na segunda-feira (06.10), grande parte desses estilistas fez sua estreia. O resultado não surpreende, não é nenhuma novidade, mas vale ser destacado: o olhar feminino fez falta. E as passarelas deixam claro esse vazio de perspectivas.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-164497 size-medium_large" src="https://images.elle.com.br/2025/10/verao-2026-capa2_JPGRTWSS26_RUNWAY_FRONT2X3_LOOK01-768x1152.jpg" alt="verão 2026" width="768" height="1152" title="Verão 2026 reflete ausência do olhar feminino – ou, pelo menos, uma perspectiva sensível a elas"><p class="media-data">
<small class="media-caption">Jean Paul Gaultier, verão 2026.</small>
<small class="media-photo-credit">Foto: Divulgação</small>
</p></p>
<h5>Leia mais: <a href="https://elle.com.br/moda/duran-lantink-jean-paul-gaultier-2">Duran Lantink: quem é o estilista que assume (de vez!) a Jean Paul Gaultier?</a></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas apresentações evidenciam mais isso, como a de <a href="https://elle.com.br/moda/paris-fashion-week-jean-paul-gaultier-verao-2026">Duran Lantink para a <strong>Jean Paul Gaultier</strong>.</a> Chamado por alguns como o novo </span><i><span style="font-weight: 400;">enfant terrible</span></i><span style="font-weight: 400;"> da moda parisiense, fazendo referência ao apelido dado ao fundador da maison, o holandês parece não fazer jus ao posto que assumiu. O icônico sutiã cônico veio em versão caolha, enquanto as calcinhas desajustadas mal cobriam as virilhas – algumas peças não vestiam bem nem mesmo as modelos que estão mais magras a cada temporada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos visuais, havia um macacão justo impresso com a imagem realista de um corpo masculino – pelos e pênis incluídos. A peça resgata o bodysuit apresentado pela maison no verão 1992. A versão do passado tinha os seios e a vulva destacados por bordados com cristais. A nudez feminina sempre foi proibida, fetichizada, objetificada, principalmente no século passado. Enquanto isso, a masculina é naturalizada e incentivada. Qual o sentido, então, de exaltar a segunda? E mais: de igualar as duas, como se seus tratamentos na sociedade fossem equivalentes? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista ao portal </span><i><span style="font-weight: 400;">Business of Fashion</span></i><span style="font-weight: 400;">, Duran Lantink diz não ter mergulhado nos arquivos da casa antes de sua estreia e se nota. A coleção trazia referências óbvias ao legado de Gaultier, mas deixou de lado um dos pilares mais consistentes de sua obra: a celebração da mulher. Em diversos momentos, o designer contribuiu para afirmar a noção de uma sexualidade feminina livre, principalmente em seu diálogo com Madonna. Mesmo em suas propostas mais fantasiosas, esse olhar nunca esteve ausente.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-164495 size-medium_large" src="https://images.elle.com.br/2025/10/verao-2026-mugler-verao-2026-_GettyImages-2238749971-1-768x1152.jpg" alt="verão 2026" width="768" height="1152" title="Verão 2026 reflete ausência do olhar feminino – ou, pelo menos, uma perspectiva sensível a elas"><p class="media-data">
<small class="media-caption">Mugler, verão 2026.</small>
<small class="media-photo-credit">Foto: Getty Images</small>
</p></p>
<h5>Leia mais: <a href="https://elle.com.br/moda/miguel-castro-freitas-na-mugler">Às vésperas da estreia de Miguel Castro Freitas, relembramos as várias fases da Mugler</a></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Miguel Castro Freitas compartilha com Lantink não apenas a estreia, mas também a herança de peso: assumir a maison de <a href="https://elle.com.br/desfiles/paris-fashion-week-mugler-verao-2026"><strong>Thierry Mugler,</strong></a> outro gigante da moda francesa. Seu primeiro desfile em Paris abusou de códigos de poder que marcaram época – ombros estruturados, cinturas baixíssimas e silhuetas agressivas, radicais. O problema é que, novamente, o mundo mudou, assim como os desejos das mulheres. E a coleção pareceu ignorar isso. A entrada 36 ilustra bem: o vestido bege bordado era preso no piercing dos mamilos da modelo. O conceito falha no essencial: reconhecer que há um corpo real ali que, com uma peça de roupa pendurada em seus seios, fica vulnerável a ser ferido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma coincidência desconfortável: assim como Gaultier, Mugler sempre foi um amante do corpo feminino e da sua força. Em suas mãos, esse fascínio se traduzia em potência. Já nas de seus sucessores, parece resvalar em descuido – e, para ser sincera, em um certo mau gosto e desconexão com a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As melhores coleções do verão 2026 não são apenas aquelas assinadas por mulheres (embora algumas estejam entre elas), mas sim as que partem de  um entendimento de que pessoas vão vestir aquelas roupas. São propostas que reconhecem o corpo como sujeito e não como objeto de espetáculo, peças que não só consideram a beleza, mas também a funcionalidade. Moda não deve punir ou restringir o corpo, como nas calças-macacões (difíceis até de descrever) da <a href="https://elle.com.br/desfiles/paris-fashion-week-alaia-verao-2026"><strong>Alaïa</strong></a>. </span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164499 size-medium_large" src="https://images.elle.com.br/2025/10/verao-2026-00019-alaia-spring-2026-ready-to-wear-credit-brand-768x1152.jpg" alt="verão 2026" width="768" height="1152" title="Verão 2026 reflete ausência do olhar feminino – ou, pelo menos, uma perspectiva sensível a elas"><p class="media-data">
<small class="media-caption">Alaïa, verão 2026.</small>
<small class="media-photo-credit">Foto: Divulgação</small>
</p></p>
<h5>Leia mais: <a href="https://elle.com.br/moda/rachel-scott-proenza-schouler">Conversamos com Rachel Scott, a nova diretora criativa da Proenza Schouler</a></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Na estreia de Louise Trotter na <a href="https://elle.com.br/moda/mfw-bottega-veneta-verao-2026"><strong>Bottega Veneta</strong></a>, os casacos em intrecciato aparecem em versões minimizadas e maleáveis, suavizando a tradição artesanal da casa. Já na segunda coleção de Sarah Burton para a <a href="https://elle.com.br/moda/paris-fashion-week-givenchy-verao-2026"><strong>Givenchy</strong></a>, a lingerie assumiu protagonismo não como ferramenta de sexualização, mas como expressão de liberdade. Na <a href="https://elle.com.br/moda/nyfw-calvin-klein-verao-2026"><strong>Calvin Klein</strong></a>, Veronica Leoni propôs frentes-únicas e vestidos drapeados que desenham uma mulher mais confiante e abertamente sensual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse ponto de vista, porém, não é exclusivo das estreias nas etiquetas comandadas por diretoras criativas. Veja a <a href="https://elle.com.br/moda/paris-fashion-week-chanel-verao-2026"><strong>Chanel</strong></a> de Matthieu Blazy: camisas criadas pelo ateliê Charvet, o favorito de Gabrielle Chanel, ganharam uma corrente oculta na barra – o mesmo recurso usado nos casaquetos de tweed da maison – para manter o caimento perfeito ao longo do dia. Na <a href="https://elle.com.br/desfiles/paris-fashion-week-dior-verao-2026"><strong>Dior</strong></a>, Jonathan Anderson apresentou minissaias jeans combinadas a blazers de construção escultural, compondo um guarda-roupa pensado para ser vivido e sentido, não apenas fotografado. Isso, sem deixar de lado o lugar de espetáculo e de sonho que a moda se propõe a ocupar. Já na <a href="https://elle.com.br/desfiles/mfw-jil-sander-verao-2026"><strong>Jil Sander</strong></a>, comandada agora por Simone Bellotti, a sensualidade vem no detalhe de um rasgo ou recorte ocasional. Nada que atrapalhe a funcionalidade ou restrinja o movimento. Nós já falamos sobre essas coleções nas críticas de cada desfile. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o olhar feminino – ou, pelo menos, um olhar sensível à mulher – está presente, a moda se torna mais possível, mais conectada ao espírito do tempo. E essa é a forma mais relevante de se pensar em uma coleção atualmente.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-164508 size-medium_large" src="https://images.elle.com.br/2025/10/verao-2026-00015-givenchy-spring-2026-ready-to-wear-credit-brand-768x1152.webp" alt="verão 2026" width="768" height="1152" title="Verão 2026 reflete ausência do olhar feminino – ou, pelo menos, uma perspectiva sensível a elas"><p class="media-data">
<small class="media-caption">Givenchy, verão 2026.</small>
<small class="media-photo-credit">Foto: Divulgação</small>
</p></p>
<h5>Leia mais: <a href="https://elle.com.br/moda/louise-trotter-bottega-veneta">Tudo sobre Louise Trotter, a nova estilista da Bottega Veneta</a></h5>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url='https://images.elle.com.br/2025/10/verao-2026-620x840.jpg' type='image/jpeg' /><imagem_destaque>https://images.elle.com.br/2025/10/verao-2026-620x840.jpg</imagem_destaque>
<legenda_imagem_destaque>Coleções de Mugler, Alaïa e Jean Paul Gaultier para o verão 2026.</legenda_imagem_destaque>
<credito_imagem_destaque>Foto: Divulgação e Getty Images</credito_imagem_destaque>
	</item>
		<item>
		<title>O silêncio das mulheres negras</title>
		<link>https://elle.com.br/ponto-de-vista/o-silencio-das-mulheres-negras</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Winnie Bueno]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Sep 2024 12:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ponto de vista]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[#feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[assédio]]></category>
		<category><![CDATA[assédio sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Patricia Hill Collins]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[silvio almeida]]></category>
		<category><![CDATA[winnie bueno]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://elle.com.br/?p=104778</guid>

					<description><![CDATA[Winnie Bueno fala sobre a dor, os questionamentos, as muitas noites sem sono e de angústia que antecedem a denúncia de um homem negro por assédio. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Os últimos dias me exigiram um silêncio doloroso, mas necessário. Enquanto </span><span style="font-weight: 400;">minhas caixas de entrada nas redes sociais e meu telefone tocava sem parar, decidi que não ia atender nem responder ninguém. Enviei uma mensagem para a única pessoa que realmente precisava saber alguma coisa sobre o que eu estava pensando naquele momento e me recolhi em silêncio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde quinta-feira o silêncio e a reflexão têm sido meus companheiros fiéis, as lágrimas também. Um sentimento pesado e difícil tomou conta de mim. Senti muito e ainda sinto, mas depois desses dias de silêncio e reflexão interna sinto que já sou capaz de expressar algo e responder às inúmeras mensagens me questionando o que eu tinha a dizer sobre as denúncias que envolvem o agora ex-ministro de Direitos Humanos Silvio Almeida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu sou uma mulher negra de 36 anos que desde a mais tenra idade participa do </span><span style="font-weight: 400;">movimento social negro e do movimento de mulheres negras. Não, eles não são uma coisa só e nem se confundem. Assim como eu, tantas outras militantes e figuras importantes desse movimento mantiveram silêncio. Um silêncio que significa aquilo que tão sabiamente Vilma Piedade nomeou como dororidade. Até aqui meu silêncio é resultado desta dororidade, dessa cumplicidade de quem sabe exatamente a dor, os questionamentos, as muitas noites sem sono e de angústia no coração que antecedem denunciar um homem negro por assédio. Um sentimento amargo e corroído que as mulheres negras, infelizmente, conhecem muito bem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O retorno de algumas de minhas memórias pessoais, nos últimos dias, foi dolorido, mas importante para que eu pudesse organizar meus sentimentos frente ao ocorrido. Por duas vezes, fui violentada publicamente por um homem negro que dividia o mesmo espaço político que eu. Eu nunca falei disso de forma aberta. As razões para isso são inúmeras e atravessaram meu pensamento diversas vezes nesses dias. Eu havia me esquecido disso, mas nesse final de semana, a lembrança recalcada dessa e de outras violências que silenciei despertaram ruidosas sobre mim. </span></p>
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<a href="https://elle.com.br/colunistas/filme-identidade-e-o-racismo">&#8220;Identidade&#8221; e as subcamadas do racismo: o que é ser negro/negra </a></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira vez consistiu em um toco de cigarro aceso jogado na direção do meu r</span><span style="font-weight: 400;">osto, que pegou na bochecha e por pouco não atingiu meu olho. Recordei que, quando este homem negro jogou aquele pedaço de cigarro aceso na direção do meu rosto, eu fiquei por alguns minutos imóvel. Não conseguia acreditar que, em um bar lotado, numa mesa compartilhada com outros amigos, aquele sujeito que havia sido meu companheiro de luta e de vida havia tido a capacidade de tentar me ferir de forma tão específica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembrei também dos sentimentos confusos e de tentar justificar para mim mesma as razões daquele ato. O que eu tinha feito para receber aquele tratamento? Certamente, em algum momento de descuido, eu permiti que ele achasse natural, em uma desavença qualquer, tentar me atingir com uma brasa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas reflexões de agora, contudo, consegui recordar apenas da reação indignada de uma das minhas melhores amigas frente a isso. Foi apenas perante a raiva daquela amiga querida que eu entendi a dimensão do problema. Ainda que eu tenha compreendido, não solicitei nenhuma medida de punição. Compreendi que era resultado da insatisfação pelo relacionamento recém-acabado e resolvi deixar para lá. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Deixei para lá porque achei que era uma coisa pequena, sem importância. Deixei para lá porque, afinal de contas, eu precisava saber as consequências do que significava denunciar um homem negro. Deixei para lá porque, segundo os amigos, eu era imensa e ele era um cara de caráter pequeno. Deixei para lá porque nada de bom ia sair daquilo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minha dor não era e nem podia ser maior que o projeto. E o projeto ficaria prejudicado se eu tomasse as providências que eu deveria tomar. Ia passar. Afinal, eu tinha sido violentada por ele em outras ocasiões, essas privadas, e passou, perdoei. Agora que não tínhamos mais um vínculo afetivo, ia passar muito mais fácil. Não precisava de um escândalo público. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Deixei para lá porque, afinal de contas, eu precisava saber as consequências do que significava denunciar um homem negro.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu estava em ascensão, vivendo um momento de reconhecimento na minha </span><span style="font-weight: 400;">organização política e no meu ativismo. Ele, por outro lado, estava perdendo. Perdendo a mim, perdendo os amigos, perdendo suas relações políticas. E eu estava ganhando. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para que macular esse momento de ganhos com uma denúncia por causa de um cigarro aceso atirado em direção ao meu rosto? Coisa pequena, poucas pessoas tinham visto. Minha moral, minha valentia, minha marra de grandona não precisavam de um &#8220;fiasco&#8221; por causa de uma coisa pequena daquela. Por causa de um homem pequeno daquele. A gente ia se afastar cada vez mais, em algum tempo ele ia esquecer da minha existência e parar de me perseguir, e eu ia me esquecer de me sentir perseguida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os meses passaram, eu fui ficando cada vez mais feliz, mais importante, mais </span><span style="font-weight: 400;">reconhecida. Mais solta e mais leve. Fazia mais amigos, conversava mais, sorria mais. Fazia tudo mais. Sinceramente, já nem me recordava daquele episódio lamentável, quando, numa confraternização da nossa organização, eu fui mais uma vez humilhada e agredida moralmente por aquele mesmo homem que tentou me ferir com fogo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu havia resolvido passar a noite com um outro rapaz, e isso despertou uma fúria violenta, que resultou em meu nome sendo gritado aos berros, associados a toda sorte de insultos. Vagabunda, vadia, puta e todas as outas palavras de baixo calão eram gritadas por aquele homem negro, para que todo mundo ouvisse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu me senti pequena. Envergonhada, constrangida. Cada insulto tinha a mesma força de um tapa no rosto. A madrugada inteira ouvi os xingamentos quieta e recolhida, chorei, fui consolada pelo rapaz com quem eu estava ficando, e dormi. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na manhã seguinte, procurei a pessoa que era responsável pela direção política </span><span style="font-weight: 400;">dos trabalhos da nossa organização, um homem branco, que não apenas era meu </span><span style="font-weight: 400;">dirigente político como à época era meu melhor amigo. Eu não lembro exatamente o tom da nossa conversa sobre os acontecidos. Lembro apenas que combinamos que íamos resolver isso no momento oportuno, e que eu tinha que decidir o que fazer a respeito. A confraternização acabou sem maiores problemas e, quando retornamos a nossa vida política normal, eu precisei abrir um procedimento interno disciplinar em relação à violência que havia sofrido. Outras pessoas viram, outras pessoas sabiam, outras pessoas tinham ciência do assédio moral que eu vinha sofrendo, mas coube a mim decidir o que fazer e como. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fui aconselhada de muitas formas a não fazer nada. Mas eu estava decidida a </span><span style="font-weight: 400;">não permitir que minha moral fosse violada. Toda vez era lembrada de que qualquer decisão que eu tomasse era de minha responsabilidade. Que qualquer escolha que fizesse era de minha responsabilidade, que qualquer consequência mediante a vida política e pessoal do meu agressor depois de eu haver formalizado a denúncia também teria consequências para mim. Resolvi que eu precisava, sim, denunciar. Denunciei. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Outras pessoas viram, outras pessoas sabiam, outras pessoas tinham ciência do assédio moral que eu vinha sofrendo, mas coube a mim decidir o que fazer e como. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os detalhes da denúncia e dos procedimentos pouco importam nesse relato. Importa saber que coube a mim decidir o que eu queria que fosse feito com o meu agressor. A organização não tinha um protocolo para situações desse tipo. Fui violentada e eu mesma precisei tomar a frente para organizar a maneira pela qual o meu agressor deveria ser disciplinado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tantos  anos depois, percebo que as organizações, instituições, o governo, ainda não têm um protocolo mínimo para agir em denúncias de assédio, especialmente, ainda são incipientes os mecanismos disciplinares em casos </span><span style="font-weight: 400;">como o meu e tantos outros. Ainda cabe a vítima decidir o que fazer depois de violentada, ainda cabe a vítima tentar resolver um problema que não foi ela que criou e que, a partir do momento em que ela é responsabilizada pelos desdobramentos da situação, resta a sensação de que de alguma maneira a responsabilidade é um pouco dela, sim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nós, mulheres negras, convivemos por tempo demais com o fardo da </span><span style="font-weight: 400;">responsabilidade das políticas de respeitabilidade da população negra. O nosso silêncio é exigido sutilmente, porque sabemos que denunciar qualquer tipo de violência, seja física ou moral, pode significar para cada uma de nós, individualmente, e para a credibilidade do projeto político de emancipação da população negra. </span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">As imagens de controle impostas sobre a sexualidade de homens e mulheres negras cumprem o papel de garantir nosso silêncio. Não queremos ter nossos corpos e comportamentos associados à imagem da mulher negra lasciva, tampouco queremos que os homens negros sejam associados à imagem de besta sexual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mulheres negras são absolutamente conscientes dos estereótipos que lhes atingem e que atingem os homens negros enquanto coletividade. Elas também sabem que, quando se trata da população negra, os erros individuais nunca são lidos pela sociedade como singulares, mas sim, como coletivos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa consciência é perniciosa para nossa saúde mental, nos levando a ansiedade, </span><span style="font-weight: 400;">depressão e outras doenças e comportamentos que colocam em risco as nossas </span><span style="font-weight: 400;">carreiras, vidas e sonhos. As formas específicas com que os sistemas de dominação de gênero e raça afetam a população negra não são por nós esquecidas em nenhum momento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na vida pública, as imagens de controle nos atravessam constantemente. Somos nós que precisamos agir mediante a prevalência e persistência de representações de mulheres negras que nos caracterizam como jezebeis hipersexualizadas, respondonas descontroladas e verbalmente agressivas, ou ainda, como aquelas que são fortes, resilientes, emocionalmente resistentes e portanto menos passíveis de acolhimento e proteção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As imagens de controle que recaem sobre a comunidade negra seguem disseminando mensagens equivocadas e perpetuam um ciclo de estigmatização e marginalização. Esses estereótipos não apenas distorcem a realidade vivida por indivíduos negros, mas também reforçam estruturas de poder que os mantêm em posições subalternas. A representação negativa e a desumanização da comunidade negra nos meios de comunicação e na cultura popular criam barreiras para o reconhecimento de suas contribuições e experiências. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fundamental que, em resposta a essas imagens opressivas, busquemos narrativas alternativas que celebrem a diversidade, a resiliência e a complexidade da vida negra, promovendo uma visão mais justa e equitativa da sociedade. Somente através da desconstrução desses mitos e da promoção de representações positivas poderemos avançar em direção à verdadeira igualdade e inclusão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, apenas nós nos responsabilizamos em frear a repercussão dessas </span><span style="font-weight: 400;">imagens de controle sexualizadas. Apenas nós pensamos muitas e muitas vezes antes de denunciar uma violência cometida por um homem negro, porque sabemos que, sobre ele, pode recair um sem fim de estereótipos desumanizadores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O compromisso coletivo com a nossa moral é um pacto de via única. Quando somos nós as expostas, poucas vezes assistimos a solidariedade de homens negros. O que nos resta é sempre o descrédito e a desconfiança. &#8220;Alguma coisa ela fez&#8221;, &#8220;ele não ia agir assim do nada&#8221;, &#8220;você não acha que provocou esse comportamento?&#8221; </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos fortemente incitadas a manter uma solidariedade racial que protege </span><span style="font-weight: 400;">homens negros, porque, afinal de contas, somos as únicas capazes de fazer isso. A proteção dos homens negros é nossa responsabilidade desde que nascemos. Somos responsáveis por esses homens e responsabilizadas pelas suas más ações. Já pelas boas, jamais somos creditadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando uma mulher negra denuncia um abuso sexual vindo de um homem negro sua palavra será questionada e descredibilizada. A nuance de desconfiança virá acompanhada da atribuição de traição. Trazer a público uma violência cometida por um homem negro contra uma mulher negra é considerado uma traição aos laços de solidariedade racial. É coisa que devemos resolver no silêncio, entre nós, sem que os brancos possam se meter. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Somos fortemente incitadas a manter uma solidariedade racial que protege </span><span style="font-weight: 400;">homens negros, porque, afinal de contas, somos as únicas capazes de fazer isso. A proteção dos homens negros é nossa responsabilidade desde que nascemos.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos taxadas das mais diversas coisas e revitimizadas, mais uma vez </span><span style="font-weight: 400;">violentadas, pois quando questionam nossa denúncia questionam também nosso caráter, ou seja, uma nova violência moral se apresenta, às vezes ainda mais dolorosa do que a primeira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos aconselhadas sempre a colocar nossas necessidades em segundo </span><span style="font-weight: 400;">plano. A repercussão negativa de um escândalo sexual envolvendo pessoas negras é responsabilidade das mulheres negras. Precisava de um escândalo público? Precisava expor as nossas vulnerabilidades coletivas já tão expostas? Precisava destruir a imagem desse homem tão respeitável? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que ninguém pergunta ou se questiona é o tamanho do rasgo no peito que a </span><span style="font-weight: 400;">violência vinda de um homem negro causa em uma mulher negra. Somos facilmente capazes de nos indignar coletivamente por todas as consequências históricas da violência sexual de homens brancos contra mulheres negras. Mas falar sobre o contínuo de violências, assédios, desmoralização que homens negros mobilizam sobre as próprias mulheres negras e, consequentemente, sobre sua própria comunidade, ainda é um grande tabu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nós ficamos em um limiar muito complexo, em uma encruzilhada perversa onde temos que decidir a quem somos leais. Quase sempre decidimos desistir </span><span style="font-weight: 400;">de ser leais a nós mesmas em favor da lealdade à coletividade. Mas quanto nos custa essa lealdade? Quanto ela está sendo benéfica à comunidade negra de conjunto? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> O pensamento feminista negro</span></i><span style="font-weight: 400;">, obra de Patricia Hill Collins que é objeto de meus estudos nos últimos anos, há uma extensa análise sobre a política sexual de mulheres negras. Uma das principais reflexões recai sobre o silêncio de mulheres negras e seu eventual benefício. Collins reflete como, no século passado, o silêncio de mulheres negras sobre questões polêmicas poderia significar a manutenção de espaços seguros para nossa autodefinição. Além disso, destaca como a exposição pública de polêmicas internas à comunidade negra muitas vezes significava uma maior vulnerabilização de homens e mulheres negras conjuntamente. Um silêncio que tem a ver com os estereótipos sexuais imputados a mulheres negras, eternamente tratadas como vagabundas imorais e promíscuas. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Nós ficamos em um limiar muito complexo, em uma encruzilhada perversa onde temos que decidir a quem somos leais. Quase sempre decidimos desistir </span><span style="font-weight: 400;">de ser leais a nós mesmas em favor da lealdade à coletividade. Mas quanto nos custa essa lealdade? </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Às vezes, quando nossa sexualidade é publicamente exposta, considerando os </span><span style="font-weight: 400;">desdobramentos das imagens de controle sobre nossos corpos e comportamentos, o silêncio é uma arma poderosa, que garante a salvaguarda da nossa privacidade. Enquanto gargalhamos, balançamos nossos cabelos e dançamos, guardamos internamente a dor do receio da exposição de nossa moral, a qual compartilhamos secretamente entre outras mulheres negras que são capazes de compreender o ácido gosto da dor que sentimos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por que não denunciamos à época? Por que não falamos quando aconteceu? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não denunciamos, não falamos, calamos, porque não nos sentimos seguras. Porque o racismo é um sistema de poder mobilizado para a destruição de mulheres negras, porque vimos tantas outras antes de nós serem desacreditadas, porque assistimos outras ainda morrerem por erguerem sua voz contra a misoginia presente nas organizações progressistas dos mais variados matizes, porque, ao mesmo tempo que mulheres brancas são capazes de se solidarizar com a nossa dor quando ela é oriunda de uma violência sexual, elas são incapazes de compreender a dor que sentimos quando essa violência </span><span style="font-weight: 400;">se dá em termos raciais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falamos entre nós, mulheres negras, porque os homens negros são capazes de condenar ferozmente a violência racial, mas naturalizam e normalizam </span><span style="font-weight: 400;">as agressões de gênero, e muitas vezes são os autores mais vorazes da nossa </span><span style="font-weight: 400;">descredibilização pública. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, cabe lembrar Anita Hill, como relembra Patricia Hill Collins em seus escritos. Estamos vivendo, no contexto brasileiro, um momento de ruptura de silêncios semelhantes. Em algum momento sairemos desse silêncio sem que sejamos responsabilizadas pelas violências que sofremos. Espero que o romper de silêncios não seja utilizado contra nós, que possamos finalmente estar seguras e que, por fim, não sejamos de maneira nenhuma lidas como traidoras da raça por não concordar com que nossos corpos e nossa moral sejam violados tão constantemente. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/winniebueno/" target="_blank" rel="noopener">Winnie Bueno</a> é militante do movimento de mulheres negras, consultora de diversidade e inclusão, pesquisadora e escritora. É autora de </span></i><span style="font-weight: 400;">Por que você não acredita em mim? (</span><i><span style="font-weight: 400;">Harper Collins), entre outras obras.</span></i></p>
<h5>Leia também:<br />
<a href="https://elle.com.br/cultura/2658411847">&#8220;Via que me olhavam com raiva e também transferia essa raiva&#8221;</a></h5>
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<p><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
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		<enclosure url='https://images.elle.com.br/2024/09/mulher-negra-silenciada-ellebrasil-2-620x840.gif' type='image/jpeg' /><imagem_destaque>https://images.elle.com.br/2024/09/mulher-negra-silenciada-ellebrasil-2-620x840.gif</imagem_destaque>
<legenda_imagem_destaque></legenda_imagem_destaque>
<credito_imagem_destaque>Arte: Gustavo Balducci</credito_imagem_destaque>
	</item>
		<item>
		<title>Olimpíada 2024: só sente falta de ídolos no esporte quem ignora as mulheres</title>
		<link>https://elle.com.br/ponto-de-vista/olimpiada-2024-so-sente-falta-de-idolos-no-esporte-quem-ignora-as-mulheres</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giuliana Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Aug 2024 13:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ponto de vista]]></category>
		<category><![CDATA[beatriz souza]]></category>
		<category><![CDATA[flavia saraiva]]></category>
		<category><![CDATA[futebol feminino]]></category>
		<category><![CDATA[ginastica artistica]]></category>
		<category><![CDATA[jade barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[julia soares]]></category>
		<category><![CDATA[lorrane oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[olimpíada]]></category>
		<category><![CDATA[olimpíada 2024]]></category>
		<category><![CDATA[olimpíadas]]></category>
		<category><![CDATA[rebeca andrade]]></category>
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					<description><![CDATA[Trazendo medalhas em vez de posturas controversas, as atletas brasileiras reescrevem o mito do “país do futebol” e mostram que há muito mais no esporte do que o tradicional clube do Bolinha.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Aconteceu, virou manchete. No dia 11 de fevereiro de 2024, a Seleção Brasileira masculina de futebol – atual bicampeã olímpica e símbolo máximo de hegemonia nacional esportiva – perdeu para a Argentina e foi eliminada dos Jogos de Paris. A notícia, claro, foi recebida com incredulidade. A última vez que tal tragédia havia nos acometido foi em 1964, quando ainda era permitido fumar dentro de aviões e computadores transmitiam informações via papel. Enquanto a imprensa esportiva se contorcia de decepção e rapazes inconformados ameaçavam queimar suas camisas de tanto desgosto, parecia até que a <a href="https://www.instagram.com/olympics/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Olimpíada de Paris</strong></a> tinha decretado seu fim ali mesmo, antes de começar. Seria trágico se não fosse cômico. Daqui do futuro, não há espaço para lamentações. </span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99525 size-medium_large" src="https://images.elle.com.br/2024/08/GettyImages-2164399221-768x512.jpg" alt="Olimpíada 2024: Beatriz Souza" width="768" height="512" title="Olimpíada 2024: só sente falta de ídolos no esporte quem ignora as mulheres"></p>
<p class="media-data">
<small class="media-caption">A judoca Beatriz Souza com sua medalha de ouro.</small>
<small class="media-photo-credit">Foto: Getty Images</small>
</p>
<p>Das 20 medalhas conquistadas pelo Brasil nos Jogos, doze foram trazidas por mulheres. Se considerarmos a performance decisiva de Rafaela Silva na disputa de equipe mistas no judô, esse número sobe para treze. Com menos de 48 horas para o encerramento da competição mundial, Ana Patrícia e Duda entraram em quadra na sexta-feira (09.08) e levaram o ouro no vôlei de praia. No sábado (10.08), além da final do futebol feminino que nos trouxe a prata, a equipe de vôlei feminino enfrentou a Turquia na luta pelo bronze.</p>
<h5><a href="https://elle.com.br/elleview/edicao-digital-47/juntem-se-a-nos-ou-percam-o-jogo">Leia mais: Juntem-se a nós ou percam o jogo</a></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">É a primeira vez, desde 1896, que as Olimpíadas acontecem com 100% de equidade de gênero. Apesar do desempenho olímpico excelente e da grandeza inquestionável das atletas brasileiras, falácias como &#8220;foi-se o tempo que o Brasil dava orgulho no esporte&#8221; ou &#8220;não se fazem mais ídolos como antigamente&#8221; continuam ecoando por aí. A maestria da judoca Beatriz Souza no tatame trouxe a primeira medalha de ouro. A ginasta Rebeca Andrade fez do solo céu e superou a maior ginasta dos últimos tempos. Rayssa Leal, skatista desde os 6 anos, é a medalhista olímpica mais jovem da história do Brasil. O rosto e o nome de todas elas foram exibidos exaustivamente em todas as grandes mídias, inclusive internacionais. Mesmo assim, alguns insistem em não dar a devida importância a talentos sem cuecas e se recusam a cantar vitória sem ter um homem de estimação para chamar de seu. Fica difícil apelar para a falta de informação. O que parece estar ausente é a disposição para reconstruir referências. </span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-99526 size-medium_large" src="https://images.elle.com.br/2024/08/GettyImages-2165733737-768x512.jpg" alt="Olimpíada 2024: Julia Soares, Flavia Saraiva, Rebeca Andrade, Lorrane Oliveira e Jade Barbosa " width="768" height="512" title="Olimpíada 2024: só sente falta de ídolos no esporte quem ignora as mulheres"></p>
<p class="media-data">
<small class="media-caption">As medalhistas Julia Soares, Flavia Saraiva, Rebeca Andrade, Lorrane Oliveira e Jade Barbosa, da ginástica artística.</small>
<small class="media-photo-credit">Foto: Getty Images</small>
</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O machismo existe, está aí, sempre esteve — mas o contexto atual prova que é preciso avançar na discussão. É fácil entender porque Marta não é valorizada da mesma forma que Pelé, difícil é desafiar as estruturas que perpetuam essa desigualdade. Enquanto existirem barreiras institucionais e culturais, como a falta de patrocínio para as atletas, comitês coniventes com assédio e escassez de uma cobertura midiática justa, para além dos esporádicos Jogos Olímpicos, continuaremos a ver discrepâncias no reconhecimento e valorização dos esportes femininos. </span></p>
<h5><a href="https://elle.com.br/elleview/edicao-digital-47/os-atletas-sao-os-novos-favoritos-da-moda-menos-as-jogadoras-de-futebol">Leia mais: Os atletas são os novos favoritos da moda. Menos as jogadoras de futebol</a></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">É momento de fazer barulho, sim, mas não só pela empatia. Sozinha, ela não transforma a realidade. De que nos vale esperar a declaração de Neymar sobre o desempenho de suas colegas de profissão? O que muda, na prática, com essa validação? As boas intenções são legítimas, mas nenhum centavo dos 2,5 milhões que ele fatura por dia será enviado gentilmente para o bolso delas – que não ganhariam esse valor nem somando 12 meses de salário. Em um cenário de mulheres protagonistas, pouco deveria importar (ou surpreender) a indiferença masculina. É o que se espera. </span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-99527 size-medium_large" src="https://images.elle.com.br/2024/08/GettyImages-2165097322-768x1140.jpg" alt="Olimpíada: futebol feminino" width="768" height="1140" title="Olimpíada 2024: só sente falta de ídolos no esporte quem ignora as mulheres"></p>
<p class="media-data">
<small class="media-caption">O time de futebol feminino comemora na semi final contra a Espanha.</small>
<small class="media-photo-credit">Foto: Getty Images</small>
</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reconfigurar é preciso, entender o mundo que estamos, também. Tão importante quanto proporcionar condições de trabalho dignas e equivalentes para as atletas em atividade, é permitir que meninas possam sonhar com um futuro no esporte. Aqui, identificação faz diferença, reconhecimento – no sentido de olhar para outra pessoa e se enxergar nela – muda tudo. Daí, a importância de se destacar, muitas vezes e quantas outras forem necessárias, que a maior parte das medalhas do Brasil foi conquistada por mulheres negras. Isso não é identitarismo, é reforço de possibilidade. Em um país marcado pela desigualdade racial e de gênero, é relevante, sim, colocar em caixas altíssimas que mulheres negras brasileiras, capacitadas majoritariamente por projetos sociais, fazem parte da elite do esporte mundial. </span></p>
<h5>Leia mais: <a href="https://elle.com.br/beleza/beleza-olimpiadas-2024">Os 9 momentos de beleza mais impactantes das Olimpíadas 2024 </a></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">O Brasil ainda é o país do futebol, do vôlei, do judô. É o país da ginástica desde Claudia Magalhães, Luísa Parente, Daiane dos Santos, Daniele Hypolito. É o país do atletismo também, com Flávia Maria de Lima disputando os 800 metros em meio à luta judicial contra uma acusação infundada de abandono parental. É o país da esgrima de Nathalie Moellhausen, única representante brasileira da modalidade, que competiu bravamente após receber um diagnóstico de tumor no cóccix. É da surfista Tatiana Weston-Webb, da nadadora Ana Marcela, da jogadora Cristiane Rozeira, da boxeadora Beatriz Ferreira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não faltam ídolos, faltam homens. E quem quiser falar de medalhas e coragem na Olimpíada de 2024, vai ter que aprender a conjugar vitória no feminino.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url='https://images.elle.com.br/2024/08/GettyImages-2165378790-620x840.jpg' type='image/jpeg' /><imagem_destaque>https://images.elle.com.br/2024/08/GettyImages-2165378790-620x840.jpg</imagem_destaque>
<legenda_imagem_destaque>A medalhista Rebeca Andrade no pódio.</legenda_imagem_destaque>
<credito_imagem_destaque>Foto: Getty Images</credito_imagem_destaque>
	</item>
		<item>
		<title>Guarda esse número</title>
		<link>https://elle.com.br/ponto-de-vista/guarda-esse-numero</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Roberta D'Albuquerque]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jun 2024 22:14:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ponto de vista]]></category>
		<category><![CDATA[#feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[PL 1904/2024 é só primeiro. Mas há outros números e nomes para lembrar, refletir e espalhar. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">PL 1904/2024, requerimento de urgência nº 1861/2024, 12/06/2024, pena de até 20 anos de reclusão para a mulher que se submeter a um aborto depois da 22º semana de gestação. Pena para o estuprador de até 10 anos, ou até 14 (se estupro de vulnerável). 104,5 milhões de mulheres no Brasil, 1 em cada 5 sente risco médio ou alto de ser vítima de agressão sexual. 20 milhões de mulheres com medo, todo dia, o dia todo. 1 estuprada a cada 8 minutos. 3 em cada 4 são vulneráveis (menores de 14 anos ou sem condições de se defender – só este ano, de janeiro a maio, 7.887 denúncia de estupros de vulneráveis no Disque 100, em sua maioria por pais, padrastos, tios, avós). Agora pensa que somente 8,5% dos casos são relatados. Recalcule os 8 minutos, recalcule os 8 minutos. 822 mil casos de estupro na projeção do Ipea, na proporção 616 mil vulneráveis, em um ano. Quase 1 milhão, todo ano. Todo ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se for muita matemática pra dar conta, guarda só dois números pra mim, por favor. Primeiro 34, bastaram 34, 1 presidente da Câmara pra colocar a urgência em votação, mais 33 autores do projeto. Guarda o número e os nomes. Arthur Lira (PP/AL), Abilio Brunini (PL/MT), Bibo Nunes (PL/RS), Bia Kicis (PL/DF), Capitão Alden (PL/BA), Carla Zambelli (PL/SP), Cezinha de Madureira (PSD/SP), Coronel Fernanda (PL/MT), Cristiane Lopes (União/RO), Dayany Bittencourt (União/CE), Delegado Palumbo (MDB/SP), Delegado Paulo Bilynskyj (PL/SP), Delegado Ramagem (PL/RJ), Dr. Frederico (PRD/MG), Dr. Luiz Ovando (PP/MS), Eduardo Bolsonaro (PL/SP), Eli Borges (PL/TO), Ely Santos (Republicanos/SP), Evair Vieira de Melo (PP/ES), Filipe Martins (PL/TO), Franciane Bayer (Republicanos/RS), Fred Linhares (Republicanos/DF), Gilvan da Federal (PL/ES), Greyce Elias (Avante/MG), Julia Zanatta (PL/SC), Junio Amaral (PL/MG), Lêda Borges (PSDB/GO), Mario Frias (PL/SP), Nikolas Ferreira (PL/MG), Pastor Eurico (PL/PE), Pezenti (MDB/SC), Renilce Nicodemos (MDB/PA), Simone Marquetto (MDB/SP), </span><span style="font-weight: 400;">Sóstenes Cavalcante (PL/RJ).</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guarda, mas não guarda só pra ti não. Imprime, cola no elevador do teu prédio, posta nas tuas redes, nos teus grupos de WhatsApp, coloca na roda dos teus amigos. Lembra da lista quando chegar perto das próximas eleições. Se a gente lembrar bem lembradinho, pode ser que sejam eles a ter medo. Risco alto. Quanto ao segundo número, foca no zero. Zero mulheres presas por se submetererm a um aborto, zero mulheres estupradas, zero mulheres com medo. Qualquer número maior do que zero é número demais pra dar conta.  </span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;">Fontes dos números da violência: Painel da Violência contra a mulher, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Relatório Anual Socioeconômico da Mulher, do Ministério das Mulheres. Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar Contínua, do IBGE. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).</span></p>
<p><i>Roberta D’Albuquerque é psicanalista e colunista da ELLE View</i><i>. Acompanhe em </i><a href="https://www.instagram.com/robertadalbuquerque/" target="_blank" rel="noopener"><i>@robertadalbuquerque</i></a><i>.</i></p>
<h5>Leia também:<br />
<a href="https://elle.com.br/sociedade/violencia-domestica-2">Prevenção contra violência de gênero deve começar na infância</a></h5>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url='https://images.elle.com.br/2024/06/destaque-pl-aborto-620x840.jpg' type='image/jpeg' /><imagem_destaque>https://images.elle.com.br/2024/06/destaque-pl-aborto-620x840.jpg</imagem_destaque>
<legenda_imagem_destaque></legenda_imagem_destaque>
<credito_imagem_destaque>Ilustração: Gustavo Balducci</credito_imagem_destaque>
	</item>
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