A fotógrafa Maria Ribeiro nunca quis ser mãe. “Me senti super pressionada quando casei. É aquela coisa: você estuda, se forma, mora junto, o próximo passo esperado é ter um filho. Eu sempre disse que não queria, mas, em algum momento, meu ex-companheiro passou a querer. As pessoas me falavam que meu desejo mudaria quando batesse o relógio biológico perto dos trinta. Nunca bateu, nunca mudou e, quanto mais eu pensava em ser mãe, menos queria ser.”

São inegáveis os avanços sociais e culturais que contemplam a existência feminina na conquista de direitos, aprovação de leis e políticas públicas que reconhecem violências e permitem mais protagonismo e autonomia sobre suas próprias vidas. Também é inegável que avançamos no debate público sobre esses assuntos. E é incrível que mesmo assim a maternidade ainda seja idealizada como algo compulsório. E sagrado. A única possibilidade de sucesso. O destino, a razão da existência de uma mulher. Talvez a razão maior pela qual elas são vistas como seres dignos de respeito. 

Evoca-se a autoridade da mãe como último esforço de despertar a empatia de um homem. “E se fosse com a sua mãe?”. Xingar a mãe é a pior das ofensas que se pode receber.

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